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Cirurgião buco-maxilo-facial fala do diagnóstico precoce do câncer bucal

Marcio Cleber

Publicado em 13 de NOVEMBRO de 2017 às 08h25



Rodrigo Nascimento Lopes é cirurgião buco-maxilo-facial facial do AC Camargo Câncer; bacharelado em odontologia pela Unilavras; especialista em cirurgia buco-maxilo- facial a UNINCOR; residência em odontologia oncológica - AC Camargo; e mestre em oncologia - Fundação Antônio Prudente. Ele esteve ministrando um curso no sábado, dia 11, no auditório da Santa Casa de Misericórdia de Barbacena, quando abordou o tema relacionado ao diagnóstico precoce do câncer bucal

Qual a importância de realizar cursos voltados para a questão do diagnóstico do câncer bucal, focando principalmente a prevenção?

A importância é alertar ao cirurgião-dentista para fazer o diagnóstico de maneira mais precoce e também para orientar a população a buscar um atendimento quando identifica uma alteração bucal, porque na maioria das vezes as lesões iniciais de câncer são assintomáticas, ou seja, o paciente não sente, ele só percebe uma alteração como se fosse uma afta, por exemplo. Quando ele consegue o diagnóstico do câncer definitivo, já esta em um estágio avançado e o tratamento torna-se mais difícil e as taxas de cura, tornam-se menores. A importância é realmente alertar para o diagnóstico precoce para que as taxas de sucesso do tratamento sejam maiores.

O câncer bucal é muito comum nos dias atuais?

A estimativa do Instituto Nacional do Câncer - INCA, é o registro nos anos de 2016/2017 de cerca de 15 mil casos de câncer de boca na população brasileira. Não é um câncer frequente, mas o quinto mais comum na população masculina.  As mulheres são menos afetadas, e o décimos primeiro câncer mais comum entre elas. E o principal fator causador do câncer de boca realmente é o consumo do cigarro.

A questão da higienização bucal é fundamental em todo este processo de prevenção do câncer bucal?

Na verdade, temos que trabalhar bastante a causa principal do câncer bucal, que é o tabaco. Campanhas antitabagismo e orientações são fundamentais em todo o processo de prevenção. Qualquer quantidade de uso de tabaco pode precipitar o aparecimento do câncer. Temos também alguns estudos que mostram que pacientes que apresentam a má higiene bucal tem um risco aumentado com relação a ter câncer de boca. A questão da higienização, de um acompanhamento odontológico periódico também é fundamental no sentido preventivo quanto do diagnóstico precoce.

A Santa Casa de tem em sua estrutura funcional um consultório odontológico. Como o senhor ver esta questão de um consultório dentro de uma unidade hospitalar?

Na realidade, a visão dos grandes centros hospitalares com relação ao dentista, tem mudado bastante. Trabalho em São Paulo, e a cidade já tem uma cultura mais estabelecida da presença do cirurgião-dentista dentro das unidades hospitalares, porque temos um potencial de minimizar custos para os hospital com relação a evitar internações desnecessárias para controle de dor, para tratamento de abscesso de maneira mais imediata. Então, quando se tem a presença do cirurgião-dentista dentro da unidade hospitalar, dentro de um Centro de Tratamento Intensivo, CTI, você evita que o paciente desenvolva uma pneumonia por bactérias da boca. Além de trazer um benefício para o paciente, promove uma redução de custos para o hospital, porque evita tratamentos mais dispendiosos. É um investimento que hoje se torna necessário e que é muito bem visto de uma maneira geral em ambiente hospitalar a presença do cirurgião-dentista.