Todas as notícias

Um ano do Projeto Octo na Santa Casa e mais de 200 doações de ‘polvos’

Marcio Cleber

Publicado em 19 de ABRIL de 2018 às 09h01



Na última terça-feira, dia 17, completou um ano que a Santa Casa faz parte do Projeto Octo, recebendo doações de polvos de crochê que são utilizados dentro das incubadoras junto aos bebês prematuros da UTI Neonatal. Uma brilhante iniciativa da barbacenense Maria Sônia Barbosa da Silva que implantou e coordenado o Projeto em Barbacena. Ela esteve na Santa Casa na terça-feira e realizou a doação de mais trinta polvos que foram confeccionados por uma voluntária do Projeto Octo do Rio de Janeiro.

De tempos em tempos, Sônia vem até a entidade para fazer entrega desses bichinhos. Neste um ano, já foram mais de 200 polvos doados, o que possibilitou atender a todos os prematuros que passaram pela UTI Neo. “Sinto muito feliz cada vez que venho na Santa Casa para trazer os polvos, pois tenho a certeza que contribui muito para esses pequeninos bebês. Meu objetivo era produzir somente durante o ano de 2017, mas está sendo tão positivo que não tem como parar”, comentou.

De acordo com Sônia tudo isso é possível porque é feito por pessoas voluntárias e as linhas são também doadas e quem quiser contribuir com linha, será sempre bem-vindo para se ter uma produção maior. Os bonecos são feitos com linhas em fios 100% algodão, com oito tentáculos de 22 centímetros de comprimento. Maiores que as próprias crianças, os polvos envolvem os bebês.

Estes bichinhos, que carinhosamente podem ser chamados de ‘amigos’, antes de serem utilizados passam por um processo de esterilização e quando o bebê recebe alta hospitalar leva o polvo consigo.

Maria Sônia destacou a adesão das pessoas como voluntária do Projeto e confeccionando mais polvos e, assim, poder atender a todos os prematuros que passam pela UTI Neonatal. ‘Lutei muito para conseguir pessoas que aderissem a este trabalho social e tão importante. É muito gratificante. Enquanto eu puder, estarei me dedicando na produção dos polvos. Até o mês de agosto, era somente eu neste trabalho e agora tenho um grupo de voluntárias”, pontuou.

“Apesar de não ter comprovação científica, muitos benefícios têm sido observados na prática clínica, como a estabilização da frequência cardíaca e respiratória, aumento dos níveis de oxigênio no sangue, diminuição da dor, do estresse, favorecendo ganho de peso, estimulação precoce, promovendo o desenvolvimento e qualidade de vida desses recém nascidos”, pontuou Juliana Eliza Moreira, coordenadora do serviço de fisioterapia da Santa Casa.

Ela orienta que por ter muitas ‘pernas’, os polvos de crochê não devem ser usados por bebês maiores, em casa. “Lembre-se de que, ao se movimentarem durante o sono ou brincando, os tentáculos de crochê podem se enrolar no pescocinho ou nas pernas e bracinhos dos bebês”, completou.

História

O Projeto Octo começou na Dinamarca em 2013, quando um grupo de voluntários passou a costurar polvos de crochê para doar para bebês prematuros em unidades de tratamento intensivo neonatais. Atualmente, o projeto faz doações para 16 hospitais em toda a Dinamarca e já recebeu pedidos para iniciar o projeto em mais de 15 países pelo mundo. No Brasil chegou no final do ano de 2016, por Brasília. Hoje a UTI neonatal da Santa Casa de Barbacena é a primeira entidade da região a utilizar dos polvos de crochê na UTI.